Biodiesel como resposta climática
Vicente Pimenta define o biodiesel como a aposta brasileira para mitigar os desafios climáticos e cortar emissões de gases de efeito estufa. “Trata-se de um combustível derivado de gorduras vegetais ou animais que substitui o diesel tradicional”, explica, apontando que 75% da produção nacional vem da soja, mas matérias-primas como algodão, milho, canola e gordura animal também se destacam como opções de alta qualidade.
Os tipos de diesel no Brasil
Gilles Laurent, da Actioil, detalha os dois tipos de diesel disponíveis no país: o S10, com 10 partes por milhão de enxofre, e o S500, com 500 partes por milhão. “Ambos contêm 14% de biodiesel — ou seja, 86 litros de diesel fóssil e 14 de biodiesel. Em 2026, esse percentual sobe para 15%, com aumentos graduais planejados para beneficiar o clima”, esclarece. Ele destaca que a redução do enxofre, que já foi de 1.800 ppm no passado, visa minimizar danos à saúde. “O S500 deve desaparecer em até dois anos. Não faz sentido combater emissões e manter altos níveis de enxofre. O futuro é do S10”, prevê. Veículos compatíveis com S500 podem usar S10, mas o inverso não é viável, e caminhões Euro 5 ou superiores exigem o S10.
Limitações do B100 no Brasil
Pimenta aponta barreiras para o uso de biodiesel puro (B100): “Não há B100 nos postos, o que inviabiliza o abastecimento em trânsito. Além disso, a produção atual supre apenas 25% da demanda nacional de diesel.” Hoje, o diesel brasileiro tem 14% de biodiesel, mas aumentar essa proporção exige aval da ANP para volumes acima de 10 mil litros mensais. “Se toda a frota adotasse o S10, a poluição por enxofre cairia 50 vezes”, calcula Pimenta.
Desempenho e custo do biodiesel
Laguna menciona que, para alguns fabricantes, o desempenho de um caminhão com 14% de biodiesel é similar ao de um B100. Pimenta, porém, alerta que produzir biodiesel puro exige investimentos altos devido às rigorosas normas da ANP. “Para um fazendeiro com frota B100, é mais prático buscar um fornecedor confiável com garantia de qualidade”, sugere. Ele observa que montadoras já reconhecem o potencial do B100 e lançam modelos compatíveis, mas o preço — 30 a 40 centavos acima do diesel — é um obstáculo. Laguna defende uma solução: “O custo elevado desanima a transição. Precisamos de políticas públicas para equilibrar isso. Vou propor o tema ao Mobilidade de Baixo Carbono para incentivar a produção e ajustar os valores.”
A importância da manutenção contra a água
Os especialistas alertam sobre os riscos da água no sistema de combustível. Laurent explica: “O filtro separador tem uma torneira que deve ser aberta semanalmente. Desativar o módulo de filtragem danifica a bomba e os bicos injetores, podendo até travar um bico aberto — um desastre para o motor.” Pimenta complementa: “O problema não é o biodiesel, mas a água, que gera fungos, corrosão e degradação. É crucial remover a água dos tanques e evitar bloqueios no dreno.”
