SÃO PAULO

Especialistas destacam conquistas e obstáculos do biodiesel no Brasil

 


O mais recente videocast CONAREM Tech, promovido pelo Conselho Nacional de Retíficas de Motores (CONAREM), mergulha no futuro do biodiesel no Brasil com uma entrevista reveladora. Participam Gilles Laurent, CEO da Actioil, empresa especializada em soluções para proteção de motores e tratamento de tanques, e Vicente Pimenta, renomado expert em biocombustíveis. “O biodiesel é um tema quente, conectado às questões ambientais e cada vez mais essencial, especialmente para as frotas de caminhões”, destaca José Arnaldo Laguna, presidente do CONAREM, reforçando a relevância do assunto para o setor de retífica de motores.

Biodiesel como resposta climática

Vicente Pimenta define o biodiesel como a aposta brasileira para mitigar os desafios climáticos e cortar emissões de gases de efeito estufa. “Trata-se de um combustível derivado de gorduras vegetais ou animais que substitui o diesel tradicional”, explica, apontando que 75% da produção nacional vem da soja, mas matérias-primas como algodão, milho, canola e gordura animal também se destacam como opções de alta qualidade.

Os tipos de diesel no Brasil

Gilles Laurent, da Actioil, detalha os dois tipos de diesel disponíveis no país: o S10, com 10 partes por milhão de enxofre, e o S500, com 500 partes por milhão. “Ambos contêm 14% de biodiesel — ou seja, 86 litros de diesel fóssil e 14 de biodiesel. Em 2026, esse percentual sobe para 15%, com aumentos graduais planejados para beneficiar o clima”, esclarece. Ele destaca que a redução do enxofre, que já foi de 1.800 ppm no passado, visa minimizar danos à saúde. “O S500 deve desaparecer em até dois anos. Não faz sentido combater emissões e manter altos níveis de enxofre. O futuro é do S10”, prevê. Veículos compatíveis com S500 podem usar S10, mas o inverso não é viável, e caminhões Euro 5 ou superiores exigem o S10.

Limitações do B100 no Brasil

Pimenta aponta barreiras para o uso de biodiesel puro (B100): “Não há B100 nos postos, o que inviabiliza o abastecimento em trânsito. Além disso, a produção atual supre apenas 25% da demanda nacional de diesel.” Hoje, o diesel brasileiro tem 14% de biodiesel, mas aumentar essa proporção exige aval da ANP para volumes acima de 10 mil litros mensais. “Se toda a frota adotasse o S10, a poluição por enxofre cairia 50 vezes”, calcula Pimenta.

Desempenho e custo do biodiesel

Laguna menciona que, para alguns fabricantes, o desempenho de um caminhão com 14% de biodiesel é similar ao de um B100. Pimenta, porém, alerta que produzir biodiesel puro exige investimentos altos devido às rigorosas normas da ANP. “Para um fazendeiro com frota B100, é mais prático buscar um fornecedor confiável com garantia de qualidade”, sugere. Ele observa que montadoras já reconhecem o potencial do B100 e lançam modelos compatíveis, mas o preço — 30 a 40 centavos acima do diesel — é um obstáculo. Laguna defende uma solução: “O custo elevado desanima a transição. Precisamos de políticas públicas para equilibrar isso. Vou propor o tema ao Mobilidade de Baixo Carbono para incentivar a produção e ajustar os valores.”

A importância da manutenção contra a água

Os especialistas alertam sobre os riscos da água no sistema de combustível. Laurent explica: “O filtro separador tem uma torneira que deve ser aberta semanalmente. Desativar o módulo de filtragem danifica a bomba e os bicos injetores, podendo até travar um bico aberto — um desastre para o motor.” Pimenta complementa: “O problema não é o biodiesel, mas a água, que gera fungos, corrosão e degradação. É crucial remover a água dos tanques e evitar bloqueios no dreno.”




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